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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Aachen – Uma viagem de agradecimento.

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Eu fecho os meus olhos,
Apenas por um momento e ele já se foi
Todos os meus sonhos
Passam por meus olhos cheios de curiosidade
Poeira ao vento, tudo o que eles são é poeira ao vento 
A mesma história de sempre
Apenas uma gota de água num mar sem fim
Tudo o que fazemos
Desaba sobre a terra, embora nos recusemos a ver
Poeira ao vento, tudo o que somos é poeira ao vento 
Não fique esperando
Nada dura para sempre a não ser a terra e o céu
O tempo passará
E todo o seu dinheiro não poderá comprar outro minuto.
Poeira ao vento, tudo o que somos é poeira ao vento.
Poeira ao vento, tudo é poeira ao vento. 
Nos idos do ano de 1.700 na cidade de Liverpool um senhor chamado Isaac Leopold dirigiu-se a um cartório e tirou um documento que chamamos de atestado de bons antecedentes. Que época! Partilhavam dela Isaac Newton, Voltaire, Benjamin Franklin e tantos outros.
Dele veio um descendente chamado Jakob Leopold (nascido em 14/01/1799 – Hannover/Alemanha) que se casou com a senhora Henriette Hirsch.
Deste casal nasceu Salomo Siegfried Leopold (nascido 23/06/1843 em Hannover e falecido em 26/03/1903 em Magdeburg) casado com Rebecka Romann.
Salomo Siegfried Leopold
Rebecka Romann
Estes são os filhos deste casal:
Beate Leopold Landsberg nascida em 07/09/1888. Teve uma filha chamada Gerda Landsberg De Preux.
Johannes Leopold (apelido conhecido: Hans, por nós Opa) nascido em 31/08/1892 em Magdeburg, falecido em 26/09/1962 em Curitiba.
Johannes Leopold

Albert Leopold nascido em 21/10/1893.
Friedrich Leopold (apelido conhecido: Fritz) nascido em 31/01/1896, falecido em 1970 em Savyon/Israel. Casado com a senhora Joanna Leopold.



Friedrich (Tio Fritz) e Joanna Leopold em Johannesburg por volta de 1958

Margarethe Leopold (apelido conhecido: Grete) nascida em 29/05/1897.
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Em 22/02/1821 nasceu Johann Eduard Valentin Bernard Grube e se tornou relojoeiro na cidade de Egeln. Filho de um professor do ensino primário chamado Heinrich Grube casou-se com Johanna Catharina Henriette Lücke filha de Zacharias Lücke. O filho chamou-se Conrad (abaixo)
Em 02/08/1824 nasceu Friedrich Wilhelm Otto em Hermerode, professor do ensino primário, faleceu em 19/11/1893. Foi casado com Auguste Emilie Siebenhüner nascida em 01/08/1829 em Pölsfeld. Friedrich era filho de um ferrador chamado Johann Wilhelm Friedrich Otto e ela filha de Christoph Siebenhüner de profissão “Anspänner” cujo significado é principal tratador de cavalos. Sua filha chamou-se Minna Luise Anna Otto (abaixo).

Conrad Heinrich Friedrich Grube nascido em 14/07/1858 em Egeln cidade que fica perto Halberstadt que é capital do distrito de Harz no Estado da Baixa Saxônia na Alemanha era ourives e relojoeiro. Faleceu em 09/05/1904 em Blankenburg. Foi casado com Minna Luise Anna Otto nascida em 27/07/1868 em Hermerode e falecida em 1942 em Magdeburg. Eles tiveram cinco filhos:
Da direita para a esquerda e retornando da esquerda para a direita - Minna Luise Anna Otto Grube / Erna Grube / Elisabeth Grube / Margarete Anna Grube / Franz Grube e Charlotte Grube.



Elisabeth Grube nascida em 24/04/1895 em Gernrode e falecida em 26/10/1923 em Berlin-Charlottenburg distrito de Berlim.
Margarete Anna Grube e Elisabeth Grube

Margarete Anna Grube (chamada por Grete, por nós Oma) nascida em 24/08/1898 na cidade de Gernrode e falecida em Curitiba em 30 de julho de 1964.
Margarete Grube Leopold


Erna Grube nascida em 21/08/1900 e falecida em 14/12/1974 em Magdeburg.
Erna Grube e seu marido – Magdeburg/Germany 1.950


Franz Grube nascido em 06/04/1897.
Charlotte Grube (Lotte) nascida em 04/06/1902 e falecida em 05/08/1977 em Simmern.
Charlotte Grube (Lotte) 17/07/1927

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Elisabeth Grube casou-se com Max Wolf e nasceu daí o personagem deste relato chamado Max Joaquim Wolf (Max Wolf abaixo) em 22/02/1917 na cidade de Kaltennordheim no distrito de Wartburgkreis na Turíngia/Alemanha.
Max Joaquim Wolf casou-se com Gerda Krueger nascida em 11/11/1930 em Chicago/USA e tiveram cinco filhos: Max-Joachim Wolf nascido 10/05/1956 em Chicago, Manfred Wolf nascido em 07/12/1960 em Heppenheim, Christian Wolf nascido em 10/04/1964, Martin Wolf nascido em 01/01/1966 e Bettina Wolf Müller nascida em 10/01/1967, estes últimos nascidos em Aachen.
Da esquerda para a direita e voltando da direita para a esquerda – Manfred, Martin, Christian, Max-Joachim, Gerda Krueger Wolf, Max Wolf e Bettina Wolf Müller. Natal 1988

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Johannes Leopold e Margarete Grube casaram-se e tiveram um filho chamado Hans Ferdinand Leopold nascido em 21/12/1914 em Magdeburg, falecido em 29/06/1990 em São José dos Pinhais. Casou-se com Norma Cardoso Oliveira nascida em 26/02/1921 em 20/07/1946 na cidade de São Paulo.
Hans Ferdinand Leopold

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Max Wolf e Hans Leopold tiveram uma ligação maior do que o parentesco – Eles foram amigos! E para agradecer esta maravilhosa amizade fui até Aachen há mais de vinte anos, mas as fortes lembranças me permitem fazer o relato a seguir.
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Os anos 90 (século XX) foram pródigos em emoções, Fernando Collor, por exemplo, sequestrou todas as poupanças do Brasil em um assalto surpreendentemente rápido. Esse filme de horror hoje volta a se projetar muito pior com uma quadrilha mais organizada chamado PT com seus integrantes que nominam-se petistas, o Fernando Collor já faz parte deste staff.
Foi nos anos 90 que surgiu Fernando Henrique Cardoso que fez este Brasil maravilhoso! Durante anos do meu trabalho eu comentava que todo ele era centrado em uma possibilidade, a do Brasil dar certo e a inflação acabar.
Nesta década 90 a Alemanha ocidental comprou a sua terra oriental de volta da União soviética e a cidade natal do meu pai Magdeburg volta a pertencer a um país único.
De fato a década de 90 marcou o fracasso e o fim do regime totalitário em muitos lugares do mundo com um saldo de mortos que deixa o holocausto e as guerras no jardim de infância perante a universidade de horror que o socialismo proporcionou.
Mas estamos em 1999 e já faz nove anos que meu pai faleceu. Neste tempo mantive uma correspondência ativa com Tio Max. Tio é uma forma carinhosa, de fato ele é primo do meu pai, filho da irmã da minha avó. Ele estava com 82 anos e como eu desejava revê-lo era um bom momento.
Sem muito planejamento avisei a família Wolf a possibilidade desta visita, a resposta foi animadíssima e só pediram a data correta.
Convidei o meu amigo Franz Benedik, um alemão radicado aqui em São José dos Pinhais para ir junto, assim ele tornaria uma conversa possível e clara com o Tio Max. Juntos fomos a um escritório da Vasp e compramos as passagens. A trupe se formou com a Iara, o Dennis (filho), Franz e eu.
O motivo do agradecimento:
Papai e Max eram amigos assim como cada um de nós tem um amigo especial. A guerra os separou, nas palavras do Max – A última vez que nos vimos e nos despedimos foi na estação ferroviária de Magdeburg. Eu estava partindo para a guerra na frente oriental... (De fato a guerra não havia começado, o exército se mobilizava para a invasão da Polônia)
Papai tinha outros problemas: Seu pai estava preso em um campo de concentração de políticos contrários ao regime (Documento gentilmente traduzido por Gerhard Martini) e a sua libertação deu-se por intervenção do seu irmão Friedrich Leopold que voltou a Alemanha (Muitos mudaram de país, tio Fritz morava em Johannesburgo na África do Sul). Não havendo mais ambiente possível na Alemanha imigraram para o Brasil no dia 29/03/1939 no navio inglês Royal Mail “Highland” Vessel.
Hans Leopold e Johannes Leopold a bordo do RMS Vessel – 1.939

Durante todo o tempo ambos trocaram muitas correspondências (todas arquivadas na casa do Tio Max e na casa do meu pai).
O favor prestado pelo Tio Max foi uma intervenção a favor do meu pai com o governo alemão para que se renumerasse com aposentadoria o período que ele serviu ao exército e mais o tempo que ele trabalhou na loja C&A como decorador (filial Magdeburg). Esta aposentadoria unida com a do INSS do Brasil possibilitou a eles uma vida digna!
Louvor o cuidado do meu pai com o futuro, ele iniciou o processo em 1958 na Alemanha (No Brasil também recolhendo para a nossa previdência) e em 1977 o Max assume com procuração a incumbência do reconhecimento e em 1980 se confirma meu pai fazer parte dos pensionistas e aí era só esperar o tempo.
Um adendo – No falecimento do meu pai eu cuidei da transferência de pensão para a minha mãe, menos de cinco minutos no INSS para efetivar isto, a alemã foi um pouco mais de tempo.
Meu processo de aposentadoria também foi muito ágil então louve-se a quem merece ser louvado. Surpreende-me o descaso que algumas pessoas têm em relação a isto, vi carteiras de trabalho de pouco tempo de uso massacradas e quase irreconhecíveis, um descaso muito grande no recolhimento. São estas mesmas pessoas que no futuro chiarão por suas pensões.
Dia 06/11/1999 (sábado)
Descemos no aeroporto de Frankfurt e quem estava a nos esperar era o jovem Jürgen Müller marido da Bettina, filha do Max. Pegamos o carro e fomos em direção a Aachen.
Ainda no aeroporto a mala do Dennis passou na esteira e não voltou, foi a nossa primeira experiência com a língua alemã profissionalmente que mesmo falando apaixonadamente parece uma briga. Uma comparação, a flor margarida em inglês é daisy, em francês marguerite e em alemão gänseblümechen! Uma caneta, em inglês pen, em alemão kugelschreiber, até um nome doce como Cinderela se escreve assim: Aschenputtel!
Confesso que as emoções futuras se esconderam quando trafegávamos pela autobahn para serem substituídas por delírios de vontade de voar em um daqueles Porsches, BMWs, Mercedes e outros enquanto pedalando todo o possível no Opel Zafira alugado tinha a sensação de estar parado!
Não havia desconhecimento da minha parte sobre a família Wolf, Tio Max já tinha passado um bom período nos visitando no Brasil, bem como seus filhos Manfred e Martin. Meus pais também já tinham ido a Alemanha.
Hans Leopold, Max Wolf e Gerda Krueger Wolf – Residência dos Wolf em Aachen – 1989

Hans Leopold, Norma Oliveira Leopold e Gerda Krueger Wolf - Alemanha – 1989

Como é importante uma recepção! A alegria era visível nos olhos de todos e nos sentimos benvindos! Para nos acomodarmos melhor foi providenciado apartamentos em um hotel próximo (Hotel Buschhausen). Depois de muito bem instalados retornamos a casa.
Hotel Buschhausen


Como tínhamos combinado por correspondência além do prazer da convivência e da oportunidade de agradecer eu gostaria de saber a história deles com o meu pai e digo que o Tio Max é um historiador fabuloso e um arquivista melhor ainda, para cada informação um documento comprovando!
Com o seu Franz Benedik fazendo praticamente uma tradução simultânea as conversas fluíram perfeitamente...
Franz Benedik e Max Wolf


Parecia trabalho duro? Não, tudo fluía naturalmente

Neste momento o assunto era Magdeburg...

A noite recebemos a visita de um amigo do Jürgen, curiosamente um brasileiro que trabalha na Ford alemã e veio com sua família. Muita conversa agora com dois tradutores.
07/11/1999 (Domingo)
O frio era dolorido, mas em todos os locais havia calefação. Continuávamos a troca de informações pois o Franz e o Dennis partiriam em breve para a cidade de Fallingbostel. O filho dele cuidava de onde seria analisado se o Dennis ficaria trabalhando na Alemanha.
Chegaram Christian e sua esposa Sabine com seus filhos e o Martin com sua namorada Alexandra. Tudo fácil para nós com o Franz traduzindo. Infelizmente o Manfred que fala português está com uma querela na família e não apareceu.
Continuamos a pesquisa mesclando convivência familiar:
Chiara filha do Christian e Sabine, Iara e Christine filha do Jürgen e Bettina

Christina Wolf Müller e Chiara Wolf – Comparação: alguns anos depois

Martin Wolf, atrás Jürgen Müller, Alexandra (namorada Martin) e no colo Christine, Bettina com o Alexander e atrás Dennis Leopold

A casa é muito grande e tem dois andares, no segundo morava a Bettina e o Jürgen e os três filhos.
Max Joachim Wolf e eu

Algo extraordinário aconteceu neste domingo, Max ligou para o México e falei por telefone com a Gerda (Gerda Landsberg De Preux) que é filha da irmã do meu avô.
Beate Leopold Landsberg tem uma história muito próxima pois ela acompanhou os estudos do meu irmão Frederico que eram pagos pelo outro irmão do meu avô o Tio Fritz (Friedrich Leopold). Ela queria leva-lo para a DuPont que era e ainda é uma das maiores empresas do mundo, mas não aconteceu e aí algo que só ele pode responder e ainda mais, também abandonou o curso próximo ao final. Ces’t la vie diria madame De Preux.
À noite fomos todos, com exceção do Max e Gerda a um pub, nem me lembro como voltamos. Deve ser efeito daqueles chopes miúdos.
08/11/1999 (segunda-feira)
Fomos de ônibus para a cidade, Tia Gerda, Dennis, Iara e eu. Mais uma surpresa, entramos no ônibus e nada de pagar! O conceito é que você usando o ônibus presume-se que pagou como de fato a tia Gerda tinha feito em outro lugar que não observamos. Agora, explicar isto levou o tempo do trajeto.
Aachen é uma cidade extremamente aprazível e não notei em nenhum lugar a devastação da guerra, mesmo tendo destruição de dois terços. A impressão é que ela foi intocada pelo tempo.
A história desta cidade também é monumental e só consultando no Google é possível entender a sua importância.
Passeamos o dia inteiro e faço uma menção especial a sua Catedral. De uma beleza única a presença de Carlos Magno é ativa. Imaginar que estamos falando do século 8 e o seu trono está lá como recordação.
Catedral de Aachen

Vista parcial da Catedral - foto do site http://www.alemanhaporquenao.com/2010/08/aachen.html 

Todo este passeio fizemos sem máquina fotográfica, então as fotos foram copiadas na internet.
Em uma loja de lembranças compramos algumas coisas para presentear as pessoas de que gostamos e para a nossa casa também, pouca coisa não mais que 4.896 peças.
Em outras lojas a Iara comprou um puzzle segundo ela, extraordinário, no Brasil vimos que faltava um presente para a Margareth (Filha do meu irmão Frederico e Viviane) e lá se foi o quebra-cabeças. Mais luvas de couro que os alemães são especialistas, uma sorte grande o CD Ópera Rock Tommy. Nesta época para o turista a Alemanha era um gigantesco Duty Free Fomos orientados para na volta entregar na fiscalização aduaneira as notas de compra que seriamos reembolsados dos impostos e assim eu o fiz levando os comprovantes. Infelizmente além da nota o produto tinha que ser apresentado e as malas já tinham ido para embarque. Como uma luva estava comigo recebi em espécie o imposto embutido nela.
O padrão de vida e a tranquilidade se atestam como, por exemplo, fomos a um restaurante e na entrada todos penduram seus casacos sem nenhum controle, se espera que eles estejam lá na saída.
Tem muito sentido a anedota:
 O paraíso é aquele lugar onde o humor é britânico, os cozinheiros são franceses, os mecânicos são alemães, os amantes são brasileiros e tudo é organizado pelos suíços.O inferno é aquele lugar onde o humor é alemão, os cozinheiros são britânicos, os mecânicos são franceses, os amantes são suíços e tudo é organizado pelos brasileiros.
Um dia delicioso e a Gerda uma companhia maravilhosa!
Jantar - Gerda Krueger Wolf e Max-Joaquim Wolf

09/11/1999 (terça-feira)
O Franz e o Dennis estavam indo para a casa do Harry (filho do Franz) em Fallingbostel uma cidade entre Hamburg e Hannover e depois iriam para a casa de Ângela (filha do Franz) na cidade de Rotkreuz/Suíça. Só voltaremos a nos encontrar em Frankfurt para o retorno.
Neste dia só dependia de nós! Como a tia Gerda é americana e todos falam inglês este passou a ser o idioma oficial. Para provar que eu conhecia perfeitamente este idioma passei sempre a deixar uma caneta na mesa caso alguém pedisse seria imediato - the pen is on the table.
Combinamos algumas viagens curtas e expressei meu desejo de ir a Magdeburg. Infelizmente meu tio me dissuadiu argumentando que seria muito triste porque os soviéticos tinham mudado demais a cidade. Não quis importuna-lo com isto, era a imagem que ele tinha. Minha irmã esteve lá recentemente inclusive onde nosso pai nasceu e achou a cidade muito agradável, embora evidentemente os alemães devam ter consertado muitas coisas neste período.
Quarta-feira com o Max-Joaquim nos ciceroneando a ideia é ir a Bélgica, ao circuito de Spa-Francorchamps.
Dia comum: a Bettina saindo para buscar os filhos, comum no sentido dos afazeres porque emoções transbordavam.
Bettina Wolf Müller

Jürgen Müller, Gerda, Iara, eu, Max e a doce Christine.

De noite a Iara e eu fomos passear a pé e praticamente por onde andamos as luzes se acendiam somente na nossa passagem, duas coisas marcaram e chatearam – Um frio muito forte e algumas pichações.
10/11/1999 (quarta-feira)
Dia de Spa, com o Max-Joaquim ao volante fomos para a Bélgica. A curiosidade é que quando parávamos para o café, o idioma era francês que o Max fala com relativa fluência. Sobre isto ele comentou que na primeira guerra os generais alemães quando se encontravam (norte e sul) falavam em francês para se entenderem tal a diferença dos dialetos. Hoje a língua alemã é a que tem o maior número de falantes na União Europeia sinal que cuspir na cara lá não tem problemas ja,ja,ja...
Saindo para a Bélgica - Iara Ribas e Max-Joaquim Wolf

De repente não mais que de repente... A Bus Stop!  Eu, um fã e conhecedor profundo da F1 estava em um dos seus reinos! A identificação foi imediata, tenho milhares de voltas nesta pista através dos simuladores.
Este circuito é completamente aberto e boa parte dele são estradas da região e eu sei cada detalhe desta longa pista.
Troquei de lugar com o Max e já saindo da chicane Bus Stop paramos para esta foto abaixo:
Iara Ribas e João Leopold em Spa-Francorchamps 1999

Eau Rouge - Max-Joachim Wolf e João Leopold
Depois destas fotos de recordação, fomos dar uma volta e como eu estava em casa pedalei forte a coisa na descida em direção a curva Les Combes e aí veio o primeiro murmúrio do Max, very fast, very fast... A Combes é uma direita, esquerda, direita de velocidade média e termina em uma pequena reta que leva a curva Rivage que é muito difícil, de fato o simulador não indicava o quando o seu raio é negativo e isto bastou que de murmúrios a coisa subisse algo um pouco acima e quando terminei a Pouhon veio o pedido para ele descer. Completei a volta e os deixei no alto da Eau, a Iara lhe fez companhia enquanto eu ia endireitar as curvas. Perderam a oportunidade de colocar uma nova virgindade porque a Eau Rouge é arrepiante e nas tentativas de faze-la flat na entrada acabava aliviando o pé. Divertindo-me muito cada vez que passava via eles encolhidos no frio terrível e aí minha consciência falou e parei, até também porque não gosto muito de comida congelada e a Iara era a minha melhor refeição!
Sentando a pua - Minha afinidade com a esquadrilha da fumaça.

Emoções se acalmando, cafezinhos tomado fomos a uma loja de souvenires todos ligados ao automobilismo de competição. Um delírio de variedades todas de bom gosto, comprei alguma coisa (2.947 peças) e me deleitei muito!
Max-Joaquim Wolf e João Leopold - loja de souvenires – Spa-Francorchamps 1999

Alguns são obras de arte retratando pilotos extraordinários em corridas memoráveis e hoje fazem parte da decoração do meu escritório.
A noite iríamos nos se encontrar com o Manfred no hotel, mas quando chegamos havia um fax avisando que não viria. Fiquei muito triste por gostar muito dele. Quando ele nos visitou no Brasil passamos excelentes dias até porque o seu volume de conhecimento em português possibilitava diálogos profundos.
Viviane Liegel Leopold, Frederico Oliveira Leopold e Manfred Wolf em São José dos Pinhais

No pé do Manfred está a sandália Birkenstock, muito famosa pelo anatômico da sua palmilha, foi o seu presente para mim quando voltou para a Alemanha.
Martin Wolf e Manfred Wolf em Vila Velha

Fax do Manfred se desculpando

11/11/1999 (quinta-feira)
Começamos o dia com o constrangimento dos Wolf pelo furo do Manfred. Nós compreendemos perfeitamente o que levou o Manfred tomar esta decisão, como ele não frequentava mais a casa dos pais não seria justo ele estar tão próximo e não ir lá. (Atualmente a paz reina e ela aconteceu antes do falecimento do tio)
Era aniversário da Gerda e fomos todos almoçar juntos no restaurante do Novotel. Um belo dia de comemoração!
Durante todo o resto do tempo eu passava com o tio Max só que agora as coisas iam lentamente sem a tradução. Mesmo assim impressiona como com um linguajar tão rudimentar conseguíamos o entendimento.
No dia seguinte seria Holanda, o melhor país da Europa!
12/11/1999 (sexta-feira)
Nosso cicerone e motorista era o Martin e o caminho é uma estrada de primeiro mundo só que lotada e o que era para fazer em menos de uma hora foi cumprida em quase cinco horas! Enfim Amsterdã!
Belíssima cidade num país em que o nome liberdade tem o seu real significado. Passeamos, fomos na feira, compramos lembranças e fomos a uma cafeteria para comprar seus biscoitos famosos. Nela pudemos provar diversas variedades na hora e com diferentes composições. Escolhemos um biscoito que tinha 14% de substância psicoativa produzido no Afeganistão ou Marrocos. Compramos o estoque deste biscoito que coube exatamente numa lata de biscoitos.
Saindo de lá compramos ingressos para navegar nos canais em um belo barco, nem bem adentramos e uma placa – Proibido fumar, arf! Meia volta volver e hasta la vista Amsterdã, saímos e iniciamos a volta para Aachen.
13/11/1999 (sábado)
Voltamos a convivência com muita conversa e constantes saídas para o jardim já que dentro da casa é proibido fumar. A foto abaixo é onde fumamos, mas o casal está tão bonitinho que me lembra uma frase da minha grande amiga Lurdinha – Me dê a mão para a gente fazer de conta que está tudo bem (Para o seu marido Bira antes da separação). De fato estava tudo bem nas páginas do meu livro, mas cada um escreveu o seu.
Max Wolf dentro, Iara Ribas e João Leopold

Nos últimos passos deste baile monumental meu querido tio Max cuidou de embalar todas as lembranças.
Max Wolf acondicionando nossos souvenires para viagem.
14/11/1999 (Domingo)
Dia da volta e rico de coisas diferentes.
O Jürgen veio nos buscar com a companhia da sua adorável Christine e enquanto nos esperava ela vomitou no saguão do hotel, nada demais se não fosse a curiosidade que ele providenciou a limpeza com a gerente apenas indicando onde ficava o material. Malas ou qualquer coisa é tudo por conta do cliente. Não há mão de obra, uma situação bem diferente de qualquer outra que eu tenha vivido.
Adorável Christine, diga que não!
Christine Wolf Müller

Christine / Cristina, Alexander / Alexandre – Esta família tem afinidades até nos nomes.
O hotel já estava pago por eles e apenas fui conferir outras despesas. Até entender que queriam saber o consumo frigobar foi bem difícil! Depois de entendido, disse que não me lembrava. Então calculamos mais ou menos quantas águas tínhamos tomado.
Este entender difícil tem explicação, o pinico que sustenta meu cérebro estava lotado e até nos sonhos as línguas se confundiam (ops era a Iara me beijando). Uma vez em Esquel/Argentina depois de um tempo neste país eu estava falando com um frentista até que em um momento eu falei que era a primeira vez que eu entendia tão bem castelhano, daí o Pedro comentou que estava falando em português (relato: Do not cry for me Argentina, I'm back.)!
No aeroporto reencontramos o Dennis e o Franz, troca-troca de conversas regado a cafezinhos.
Dennis Leopold, Jürgen Müller, Iara Ribas e João Leopold - Fotografia Franz Benedik

Em vários momentos eu falava ao Max o quanto ele tinha sido importante, o quanto meu pai e nós gostávamos dele. Este era o intuito, expressar ao vivo a verdade de nossos sentimentos. Ele entendeu e isto foi maravilhoso!

A tradução do seu obituário:
"Raramente sabemos o que é a felicidade, mas sabemos na maioria das vezes o que felicidade foi."

Talvez a maior felicidade que podemos ter é saber que somos importantes para alguém.

Comentários

Eu sempre tive uma percepção em relação a espécie humana que pela progressão geométrica da população, seria quase impossível traçar uma linha genealógica com um alcance que impressionasse.
Veja esta foto:




É a Bettina em Londres, a foto foi tirada por sua mãe Gerda Krueger Wolf. Ela é a Bervely, ele é o Donald, seus filhos chamam-se Christopher e Alexander e moram em Londres . Vejam eles em uma escala genealógica:

Minna Luise Anna Otto Grube foi casada com Conrad Heinrich Friedrich Grube, pais da minha avó Margarete Anna Gruber. Ela, Minna Luise Anna Otto contraiu uma segunda núpcias com Paul Reimer. Tiveram um filho chamado Oswald Reimer que passou a ser o irmão mais novo de Margarete Anna Grube, só que agora com o sobrenome Reimer do segundo marido. Oswald Reimer casou-se com Elvia Dixon, filha de Elvia com Fred Dixon. Deste relacionamento nasceu Donald Reimer (Nosso primo em segundo grau) que se casou com a Elvira e vierem deste cas...
Outro caminho: Uma prima de Beate Leopold Landsberg chamada Elvira Rosalie Fleischer casou com um médico de nome Georg Moser em Magdeburg e tiveram uma filha Inge Moser que nasceu em 29/07/1912 e morava em Londres...

Outro exemplo usando aproximadamente um século partindo de:
Johannes Leopold/ Margarete Grube Leopold e João Cardoso de Oliveira e Maria Sartorio de Oliveira, o primeiro casal tiveram um filho, meu pai e o segundo dez filhos sendo uma minha mãe. Meus pais tiveram...
Assim vai. Se a Marilia Busse Simões filha da Cristina Busse Seminari tivesse tido um filho (tinha a idade) minha mãe teria sido tataravó em vida.

...Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha...
A matemática desmistifica as religiões, se procurarmos as nossas origens somente a partir da era comum o número de ramificações teria um número que na matemática chama-se googol. Este número não é infinito, mas é tão gigantesco que é muito difícil quantifica-lo. Abaixo uma lenda conhecida, a história é lenda, a matemática é verdade:
Conta a lenda que o inventor do jogo de xadrez foi agraciado pelo rei por sua invenção com um pedido. O inventor pediu pouca coisa:

1 grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro de xadrez,
2 grãos pela segunda casa,
4 grãos pela terceira casa,
8 grãos pela quarta casa
e assim sucessivamente até a 64º do tabuleiro.

Será que ele pediu pouca coisa?

O resultado é 18.446.744.073.709.551.615 grãos... ou seja, dezoito quintilhões, quatrocentos e quarenta e seis quatrilhões, setecentos e quarenta e quatro trilhões, setenta e três bilhões, setecentos e nove milhões, quinhentos e cinquenta e um mil, seiscentos e quinze grãos.

O inicio da era comum representa hoje aproximadamente 80 gerações (geração = 25 anos) e o tabuleiro de xadrez tem 64 casas.

Somos poeira ao vento (Dust in the Wind) como a Sarah canta na abertura deste relato.
Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para eu dividir um planeta e uma época com você. Carl Sagan (via Nelson Umbria)
No maravilhoso romance Havaí de James Michener ele traça os movimentos genealógicos que formaram a população da ilha terminando no que ele chama “Homem dourado”. Este Homem Dourado não significa a cor da pele provinda da miscigenação racial e sim a sua interação ao que lhe cerca.
 “...Somente na compreensão do que estava acontecendo é que Hoxworth Hale poderia ser considerado como um Homem Dourado. Em termos raciais, era basicamente haole. Em termos emocionais, era totalmente haole. E era assim que se considerava. Na verdade, tinha 1/16 de sangue havaiano, herdado de Alii Nui Noelani, que fora a sua trisavó. Também tinha um pouco de sangue árabe, pois um dos seus ancestrais europeus se casara por ocasião das Cruzadas, um pouco de sangue africano, através de um ancestral romano, um pouco de sangue da Ásia Central, de uma mulher austríaca que se casara com um húngaro em 1603, e um pouco de sangue de índio americano de uma mulher Hale que enganara o marido, num canto remoto de Massachusetts. Mas ele era conhecido com puro haole, o que quer que isso significasse...”
“...Hong Kong considerava-se como puro chinês, pois seu ramo de família casara apena com moças hakkas. Havia muitos Kees com sangue havaiano, português e filipino, mas ele não tinha nenhum, um fato que se orgulhava, discretamente. É claro que, de aventuras passadas do hui Kee, os ancestrais de Hong Kong haviam absorvido muito de sangue mongol, manchu e tártaro, mais um pouco de sangue japonês, adquirido durante as guerras do principio do século XVII, mais um pouco de sangue coreano, por intermédio de um ancestral que viajara por aquela península em 814, mais uma ampla herança indefinida das tribos que haviam vagueado pelo sul da China desde o ano 4000 a.c. Apesar disto, Hong Kong julgava-se puro chinês, o que quer que isto significasse...”
“...Ao embarcar no navio, o Capitão Sakagawa sentia-se completamente americano. Demonstrara a sua coragem, fora aceito em Honolulu e agora era desejado por alguém. Num certo sentido ele já era um Homem Dourado, conhecendo tantos os valores ocidentais como os orientais. Podia se deleitar com o seu americanismo recém-adquirido, mas também se orgulhava de ser um japonês de sangue puro. É claro que este último fator era absurdo, pois ele carregava heranças de todos os anônimos predecessores que haviam habitado o Japão: alguns dos seus genes provinham dos peludos ainus do norte, de invasores siberianos, de chineses, de coreanos entre os quais os seus ancestrais haviam vivido, mais particularmente dos aventureiros indo-malaios, muitos dos quais continuaram a viajar para leste, a fim de se tornarem havaianos, enquanto outros seguiam para o norte, espalhando-se por diversas ilhas e se fundindo com os japoneses. Assim, de dois antigos irmãos malaios, partindo de um ponto perto de Cingapura, o viajante para o norte se tornara o ancestral de Shigeo Sakagawa, enquanto o outro se tornaria o ancestral de Kelly Kanakoa, o surfista havaiano que estava acompanhado por uma moça bonita, observando o fim do desfile.
Olhando-se mais para o norte, pode-se pensar em três antigos irmãos siberianos, um deles cruzando o mar bravamente até o Japão, onde seus genes acabaram por encontrar abrigo no corpo de Shigeo Sakagawa. Outro atravessou a ponte das Aleutas e chegou a Massachusetts, onde seus descendentes se tornaram ancestrais índios de Hoxworth Hale. Um terceiro, menos arrojado que seus irmãos, deslocou-se para o sul, ao longo das rotas de terra já estabelecidas na região central da China, ajudando a formar os hakkas e assim servindo como ancestral de Hong Kong Kee. Na verdade todos os homens são irmãos. Mas a medida que as gerações passam, são as diferenças que importam e não as semelhanças...”
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Agradeço:
Dr. Med. Max Wolf e sua família – Ao brilho que deram na existência dos meus pais.

Dr. Med. Alexandre Leopold Busse – Sua intervenção neste relato foi fundamental!

Iara Ribas – Por fazer parte da minha história e pela troca de lembranças para este relato.

Dennis Leopold – A troca das lembranças desta viagem foram importantes para o posicionamento das datas e fatos ocorridos.

Frederico de Oliveira Leopold – Pela ajuda em confirmações de datas e outras dúvidas.

Luciane Daux - Pela sua prontidão em atender o meu pedido de ajuda e sua capacidade em ajudar.

Dedico:
Roberto Cordeiro Busse e Ana Maria Leopold Busse - Se nesta breve história houvessem heróis, vocês o seriam!